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Pós-guerra no Iraque beneficia Brasil
por Gabriel Garcia do Jornal da Cidade - Bauru

País viu dólar e risco-país baixarem durante conflito; construção civil e alimentação são "armas" de empresas brasileiras

Encerrada a guerra contra o Iraque de Saddam Hussein, começa a guerra pelo Iraque pós-Saddam. A reconstrução do país, severamente destruído pelas bombas da coalizão e pelos 13 anos de embargo econômico, está criando uma disputa sem sangue, mas ainda mais acirrada, pelos contratos iraquianos - e o Brasil pode sair ganhando.

Até o momento, a guerra ajudou o Brasil a consolidar a política de segurança econômica do governo Luiz Inácio Lula da Silva. O dólar, que chegou a passear abaixo da casa dos R$ 3,00 na última semana, foi a moeda mais valorizada do mundo em 2003. Um dos motivos seria a falta de conflitos bélicos regionais na América Latina, fator que traz tranqüilidade ao investidor estrangeiro.

A ameaça de alta na cotação do petróleo - bastante real, levando em conta que Saddam comandava a segunda maior reserva petrolífera do mundo - não se consolidou. Pelo contrário, a cotação do produto só fez cair durante as semanas de combate, chegando a ser negociado a US$ 24,33 na Bolsa Internacional de Petróleo (IPE) nos contratos para junho.

O risco-país brasileiro, índice que mede a segurança de investimento, caiu de 1.375 pontos no início de janeiro para cerca de 860 pontos - nos últimos 12 meses. A queda acumula 37,4%. A Turquia, porta de entrada européia ao Oriente Médio, teve seu risco-país aumentado em 13,8% nos últimos 12 meses, chegando a 782 pontos (menor que o do Brasil).

"A América Latina, nesse processo todo de guerra, ficou em bastante evidência para os investidores", afirma o especialista em planejamento tributário Sidnei Bizarro. Para ele, no entanto, a política econômica do governo Lula foi um fator ainda mais importante para garantir a confiança dos organismos monetários internacionais.

O historiador João Francisco Tidei de Lima, professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e Universidade do Sagrado Coração (USC), tem uma posição diferente. Para ele, os "efeitos positivos" da guerra para o Brasil são "transitórios e circunstanciais". "Essa guerra pode respingar positivamente aqui no Brasil, mas muito esparsamente, sem nenhum efeito a longo prazo”, aponta.

Na opinião de Tidei de Lima, os benefícios da reconstrução e dos petrodólares iraquianos vão mesmo ficar nas mãos das potências. “Essa ocupação não vai ser feita só pelos EUA. Vai ser partilhada pelos europeus, entre eles, a Alemanha, a França e a Rússia, que têm negócios muito profundos no Iraque”, afirma.

O professor cita o derrame de milhões de dólares americanos na reconstrução da Europa - principalmente Alemanha - e do Japão após a 2.ª Guerra Mundial. Antes de um grande negócio para as empresas americanas, o chamado Plano Marshall foi uma estratégia de combate ao comunismo.

"Era preciso reconstruir a Alemanha capitalista (Ocidental), até em termos de competição: fazer a Alemanha capitalista melhor que a socialista (Oriental)", diz Tidei de Lima. A mesma coisa no Japão, país "às portas da China", que viveu sua revolução comunista em 1949.

Passat

Ainda que de maneira restrita, o Brasil pode ganhar alguns dos contratos para a reconstrução iraquiana - orçados na casa das dezenas de bilhões de dólares - graças ao histórico de amizade profícua entre os dois países.

Durante 1983 e 1988, o Brasil exportou algo em torno de 170 mil veículos Passat para o Iraque. Até hoje, ele é o carro mais popular entre os iraquianos, carinhosamente chamado de "brazíli". Diferente dos Passat produzidos para o mercado interno, os exportados para o Iraque têm quatro portas, ar-condicionado, luz para leitura no banco traseiro e cores mais ao gosto dos iraquianos, como o discutível verde-abacate.

Também coube a empreiteiras brasileiras serviços grandiosos de construção civil, como os mais de 500 quilômetros de estrada duplicada que ligam Bagdá à fronteira da Jordânia, e quilômetros de ferrovias. Empresas brasileiras também participaram de projetos mirabolantes de Saddam Hussein, como o "metrô-labirinto" de Bagdá .

"Apesar da ditadura sangüinária, o Iraque estava num processo de modernização, de importação de tecnologia", lembra o historiador Tidei de Lima.

Na mesa do iraquiano, o produto brasileiro é bastante conhecido e apreciado. Durante a década de 80, período que compreendeu a guerra Irã-Iraque, o Brasil exportou cerca de US$ 150 milhões em carne de frango congelada. À frente do negócio estava o atual ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, então na Sadia.

Atualmente, a população iraquiana consome, além do frango, carne bovina, café e açúcar brasileiros, provenientes do programa Petróleo por Comida da Organização das Nações Unidas (ONU). Desde a Guerra do Golfo, em 1990, o Iraque está sob embargo econômico.

Para Sidnei Bizarro, o governo brasileiro vai precisar de muita diplomacia para voltar àqueles tempos áureos, dada a posição oficial do Brasil contra a guerra. "Os EUA, assim como países europeus, têm um interesse muito grande de colocar suas empresas lá. Hoje começa a se despontar um jogo muito grande para ver quais empresas estarão disputando a reconstrução", afirma.

De acordo com Bizarro, o governo brasileiro deveria investir nessa "simpatia" e nos antigos laços comerciais com o Iraque para assinar alguns contratos. "O fato de termos atuado de alguma forma na construção civil pode fazer com que sobre alguma coisa para o Brasil", diz.

Na opinião do consultor, mesmo o dólar em queda não deve desestimular o interesse das empresas brasileiras por negócios externos. "Mesmo com o dólar abaixo de R$ 3,00, até R$ 2,50, eu continuo defendendo que a empresa deve insistir em colocar seu produto no mercado externo, não tenha dúvida", declara Bizarro.






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