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Recessão na prática, otimismo na teoria


Gerar um crescimento sustentado da economia brasileira da ordem de 3% em 2004 é uma, dentre inúmeras aspirações do  presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de seus principais aliados. Promessa esta feita com a melhor das intenções para recuperar o equilíbrio e a credibilidade do novo governo, arranhada com a falta de resultados satisfatórios no cenário nacional.  Medidas como:  liberação do compulsório, microcrédito, financiamentos para pequenas e médias empresas, incentivo à agricultura familiar, queda de juros, reforma tributária, fome zero, programa de alfabetização para 20 milhões de pessoas etc.,  são indícios de que sua meta de crescimento pode ser cumprida.
Segundo Lula, o primeiro semestre de seu governo foi focado na recuperação da estabilidade econômica e política da nação, dentro e fora do país, o que explica tantas viagens ao redor do mundo, a exemplo de seu antecessor, Fernando Henrique Cardoso. Recentemente, em pronunciamento feito na EXPO ABRAS - 37a Convenção Nacional de Supermercado, no Rio de Janeiro, ele confirmou o que prometeu em sua campanha política que “correria o mundo como um mascate para vender a imagem do País e produtos brasileiros onde vislumbrasse oportunidade de negócios”.
Ao mesmo tempo em que  o governo arrisca garantir um crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) de 3,5% no próximo ano, o IBGE anuncia queda de 1,6% no trimestre. Ao que se sabe,  o Brasil passa por um período recessivo, desde o segundo trimestre de 2002.  No terceiro trimestre do ano passado, o PIB passou de 1,5% para 0,9%, iniciando o ano com variação negativa de 0,6% e 1,6%, respectivamente, nos primeiro e segundo trimestres deste ano. Por outro lado, o senador Aloízio Mercadante proclama, com otimismo, a vitória, afirmando que  “o alicerce é muito sólido”  mostrando que a economia já apresenta sintomas de que está reagindo,  produzindo e começando a decolar.
Um outro dado nos salta aos olhos:  nos últimos quatro trimestres, o Consumo das Famílias e o da Formação Bruta de Capital Fixo tiveram queda de 2,5%. Em contrapartida,  o Consumo do Governo aumentou 0,5%, as Exportações de Bens e Serviços apresentaram o melhor resultado com crescimento de 23% e as Importações de Bens e Serviços caíram 6,8%.

Enquanto isso, a Carga tributária consome 18,5% da renda média dos brasileiros, que já é precária.  Pesquisa feita pela FGV divulgada recentemente no seminário da Federação de Serviços do Estado de São Paulo, a Fesesp, indica que as famílias pagaram R$ 128 bilhões em impostos (11,5% do PIB) em um ano e que pode dobrar, caso as empresas repassem 50% da carga tributária sobre o setor produtivo. Este é um ciclo vicioso que reduz ainda mais o poder de compra da sociedade.

política suicida

Em contraponto ao otimismo brasileiro, o pensamento pessimista do estudioso Robert Brenner, professor de história econômica da Universidade da Califórnia (EUA) em entrevista concedida à Folha de S.Paulo afirma que, “a política econômica implementada pelo governo Lula é suicida. Se o Brasil entrasse em moratória, suas relações com o capital financeiro internacional provavelmente se tornariam mais saudáveis”, afirma.
Bem, e por aí discorrem as idéias defendidas por diferentes formadores de opinião, colocando o país em fragilidade e, ao mesmo tempo, em clima de esperanças de um deslanchar mais abundante no último trimestre do ano. Enquanto isso, os empresários brasileiros, ainda que reticentes, apostam no dinamismo da saúde econômica que deve ser recuperada, mesmo diante de  resultados desalentadores. De uma certa forma, dependemos também da recuperação americana, que faz patinar os países desenvolvidos e podem agravar ainda mais as recessões das periferias mundiais, bem como dos países em desenvolvimento "neoliberalizados", sensivelmente vulneráveis às devastações das crises financeiras internacionais.
Chegamos ao um patamar de muitas especulações, incertezas e pouco resultado.  Depois de tantos anos incriminando FHC, certamente o governo atual nos deve algumas explicações plausíveis.

*Carlos Roberto Bizarro é sócio diretor da Bizarro e Associados, Desenvolvimento Empresarial.
cbizarro@bizarroeassociados.com.br

 

 






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